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Opinião: Considerações gerais sobre a BookExpo America (Parte I), por Pedro Miguel Martins

16.06.10
CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A BOOKEXPO AMERICA (BEA) (parte I),

por Pedro Miguel Martins (*)


1. ALERTA!

Esta foi a minha primeira experiência numa feira do livro dedicada em exclusivo ao ramo editorial. Assim, não poderei fazer qualquer comparação com outro evento do género nem tenho uma visão histórica para criticar ou projectar o futuro. O que vão ler corresponde à minha experiência pessoal, ao que escutei nas diferentes conferências a que assisti. Porque a memória é traiçoeira, alguns dos pontos que apresento têm o apoio do jornal diário Publishers Weekly, que foi sendo distribuído e que contém o resumo do muito que foi acontecendo ao longo dos três dias na BookExpo America.

2. O VALOR DO LIVRO

A abertura da BEA iniciou-se com um interessante (e disputado!) debate sobre «O Valor do Livro», com a participação dos principais dirigentes da indústria editorial americana, a saber: Oren Teicher, director-geral da American Booksellers Association; Bob Miller, editor da Workman; Scott Turow, presidente da Authors Guild; Esther Newberg, da International Creative Management; Skip Prichard, director-geral da Ingram; David Shanks, director-geral da Penguin, e Jonathan Galassi, presidente da Farrar, Straus and Giroux, que desempenhou o papel de moderador — tendo o debate sido centrado, logo de início, nas questões à volta do universo do e-book. Foi imediatamente perceptível que não há unanimidade neste tema: autores, agentes literários, editores e livreiros, todos apresentaram um tom crítico à forma como o e-book está a ser oferecido e comercializado.

Desde logo, foram expostas três grandes preocupações: pirataria, royalties, distribuição. Todos percebem que a pirataria já é uma realidade, tendo o director-geral da Penguin dado o exemplo, por muitos conhecido, de livros que são editados em papel e depois digitalizados e distribuídos pela Internet, advertindo, por isso, que não é o e-book como formato o culpado da pirataria, mas antes a ausência de uma oferta organizada. Aludiu-se ainda ao exemplo do que se passou com a indústria discográfica quando do aparecimento do MP3. As consequências da pirataria variam de acordo com o tipo de livro: quanto mais caro, mais pirateado. Enciclopédias, livros ilustrados e académicos em geral tendem a sofrer mais. A discussão centrou-se ainda no modelo de remuneração dos autores relativamente ao seus «direitos de autor», tendo o grupo sido dividido em dois: por um lado, Scott Turow e Esther Newberg defendiam que a edição do livro em e-book deveria ter uma remuneração maior em direitos de autor, considerando o preço final da venda desse formato; por outro lado, os editores defendiam-se indicando que ainda era cedo para se chegar a uma conclusão sobre esse assunto. Porém, referiu-se a política de preços da Amazon, de 9,99 dólares, como uma estratégia perigosa de dominação de mercado, pois não só cria um rombo na própria Amazon, como também deixa entrever a regra de que o electrónico tem de custar muito menos do que o impresso.

Relativamente à distribuição do e-book, notou-se uma crescente preocupação por não existir um «formato neutro», isto é, compatível com todos os modelos de leitores electrónicos, tendo sido veiculada uma crítica à Amazon por vender simultaneamente o livro em papel e o e-book. Na opinião de Jonathan Galassi, esse gesto foi um enorme erro em relação ao qual não se poderá voltar atrás; a melhor forma é pensar-se em modelos de venda que permitam tirar partido da actual situação.

[Parte III]

(*) Pedro Miguel Martins é licenciado em Design Visual pelo IADE desde 2003, exercendo a sua profissão no grupo r/com — renascença comunicação multimédia. Em 2006, concluiu o curso de especialização para Técnicos Editoriais na FLUL. É ainda fundador e editor da Letras d’Ouro.

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